Mulheres na Indústria Cerâmica Christiane Ferreira, Diretora de Branding e Inovação da Portobello

September 23, 2019

 

Com formação diversa em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestrado em Administração de Empresas pela Universidade do Estado de Santa Catarina, Christiane Ferreira entrou na Portobello como estagiária de marketing quando ainda cursava arquitetura.

Seu caminho foi traçado de acordo com as demandas da empresa, mas sempre alinhado e de olho nas mudanças macro, tanto no mundo das comunicações (com os fechamentos de revistas do setor, o aparecimento de segmentos fortes de divulgação nas redes sociais, entre outras mudanças que fazem os departamentos de marketing se reinventarem a todos instante); além do quebra-cabeça da economia brasileira. “No começo, além de paginações, passei a colaborar no desenvolvimento dos pontos de vendas, da participação em feiras, das lojas, da criação de produtos. Atualmente, estou focada em criar a forma mais eficiente de como a marca se expressa em todas as suas manifestações”, explica Christiane. Segundo ela, a Portobello tem o propósito de viver o design “e isso me atrai muito. Acho que crescemos juntos desenvolvendo o design da marca”, orgulha-se.

                                                                                                                       

Em entrevista exclusiva ao Especial Mulheres na Indústria Cerâmica, a diretora fala sobre os desafios comuns entre homens e mulheres no setor, além da inovação e o futuro da Indústria Cerâmica. Confira!

ANFACER: Inovação é a palavra do momento. Quais os principais movimentos que a indústria cerâmica precisa ficar atenta para acompanhar as mudanças galopantes que os mercados nacional e internacional apresentam?

 

Christiane Ferreira: Inovar é o que esperamos do mundo, faz parte da cultura contemporânea. A maioria das pessoas, nós, nossos clientes, os arquitetos, todos queremos novas soluções para quase tudo. 

 

E, quando falamos do nosso contexto, do universo da arquitetura, da nossa casa, do nosso ambiente de trabalho ou lazer, desejamos ambientes com os quais nos identificamos, nos sentimos bem e que sejam construídos com menor atrito possível, através de uma experiência agradável. 

 

Traduzindo isso para uma indústria cerâmica, o desafio está em oferecer um sistema que permita personalização, com design que traga diferenciação e com serviços que tornem o processo de especificação e compra uma experiência memorável. Ou seja, oferecer a solução completa, chegar o mais próximo do cliente possível e expressar o propósito de cada companhia. Esse é o desafio de todas as marcas.  

 

Na Portobello entendemos que o varejo integrado, que pode ser sintetizado por tomar as decisões com o olhar do cliente em todos os pontos da cadeia de fornecimento - da matéria prima à entrega do produto na obra, passando pelo atendimento na loja - é o diferencial para o sucesso da marca. Assim vamos desenvolver os pontos que melhor atendem a expectativa do consumidor contemporâneo.


ANFACER: Ser mulher em uma indústria cercada de homens no comando. Como enfrentar resistências e mostrar os seus valores e qualidades? 

 

CF: Apesar do mundo corporativo ser bastante masculino, acredito que as resistências e os desafios são compartilhados por todos, tanto homens quanto mulheres. Claro que as mulheres têm mais dificuldade em alguns pontos, mas podemos também aproveitar as vantagens das características mais femininas e usar a intuição e a sensibilidade mais apuradas a nosso favor. 

 

Acredito que, para evoluir profissionalmente, a dedicação, o alinhamento com os valores e estratégia da empresa, a persistência e o espírito de equipe são mais relevantes que o gênero.
 


ANFACER: A Portobello acaba de inaugurar uma fábrica voltada para a produção de grandes formatos. Diante do momento econômico que o Brasil passa é uma ação corajosa. Conte-nos mais detalhes sobre esse projeto?

 

CF: As lastras cerâmicas representam o futuro desse setor. Produtos maiores, utilizados como superfícies contínuas, como matéria-prima para revestir, criar mobiliário e personalizar, representam o desejo dos arquitetos e, atualmente, já são possíveis. A condição mais sustentável desse processo também é um fator crítico, devemos pensar cada vez mais em otimizar os impactos do nosso modo de vida.

Como ainda é uma tecnologia nova e em permanente evolução no nosso setor, encontrar o momento certo de embarcar nessa inovação é uma decisão difícil mesmo e, para a Portobello, esse é o momento certo. Acreditamos que o consumidor já está mais aculturado com superfícies maiores e mais finas, há demanda para essa tecnologia mais competitiva, ou seja, produzida nacionalmente e não mais importada, e as soluções tecnológicas para formatos de até 1,80 x 3,60m já estão disponíveis para serem adotadas no contexto brasileiro.

 

 

ANFACER: Branding + Inovação são os focos do seu trabalho. O que você acha mais fascinante nesse universo que muda a todo instante? Como está a par de tantas novidades e ter a agilidade de aplicá-las na prática?

 

CF: O que me mantém sempre motivada é exatamente essa dinâmica, essa busca pela evolução e pelo novo, que possam melhorar a experiência das pessoas. Sobre acompanhar as novidades é um sistema que criamos para a marca. Chamamos aqui de Ciclo da Inovação e envolve um grupo grande de pessoas que olha o mundo com curiosidade e disposição para aprender, envolve também o espírito de colaboração, com arquitetos, com clientes e fornecedores, com experts de diversas áreas e, sobretudo, envolve muita transpiração para processar as informações, filtrá-las com o olhar da marca e traduzi-las em soluções para ambientes dos sonhos. Esse ciclo é constante e com momentos definidos para identificar as tendências do período, selecionar e desenvolver as ideias de produtos, expandir tecnologias, as soluções e prepararmos o lançamento para os clientes.

 

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