Tripé para o cenário otimista

 

Muitas análises e exercícios de previsões estão sendo desenvolvidos para entender o futuro real impacto da pandemia de COVID-19 no Brasil e no mundo. Estamos analisando a trajetória do barco com ele em curso ainda incerto.

 

Não farei uma nova análise ou previsão, sugiro consultar os sites do Fundo Monetário Internacional e da Organização Mundial do Comércio para isso. Essas organizações publicaram recentemente um estudo de previsões para a economia mundial que previa três cenários: o pessimista, o moderado e um otimista.

Eu quero falar sobre o que precisamos, como indústria cerâmica, para tornarmos realidade um futuro otimista para o setor. E há muito trabalho pela frente para que ele se concretize.

 

Precisamos focar em três linhas de trabalho, duas de curtíssimo prazo e um com horizonte temporal de médio prazo para conseguir estar em pé, mas que não deve ser negligenciada:

 

- Incentivos à produção;

 

- Incentivos à construção civil nacional;

 

- "Faça você mesmo"

 

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de revestimentos cerâmicos, com 90% da produção nacional destinada ao próprio mercado interno e outros 10% são exportados.

 

Hoje, com as restrições de circulação e funcionamento do comércio aplicadas em quase todos os Estados brasileiros, as lojas de material de construção estão fechadas ou funcionando muitíssimo abaixo de sua capacidade, e não é necessário um grande exercício de análise para visualizar que as vendas atuais dessas lojas está concentrada em artigos do tipo “Faça Você Mesmo”: são itens para pequeníssimas reformas que o próprio dono do imóvel pode realizar e itens para organização de espaços.

 

A indústria nacional da construção civil está funcionando também em modo lento, com a confiança dos empresários dessa indústria em sua baixa histórica – conforme dados da CBIC* - nas palavras de Carlos Abijaodi, diretor do Desenvolvimento Industrial da CNI “A queda na confiança dos empresários pode contribuir para a paralisação dos investimentos, ou seja, para o agravamento da crise econômica”.

 

Novos projetos estão efetivamente paralisados, aguardando-se a passagem dessa turbulência, e o setor cerâmico sofre as consequências, juntamente com todos os outros materiais de acabamento, intrinsecamente atrelados ao desempenho da indústria da construção.

 

Agravando a situação, os insumos necessários para a produção de placas cerâmicas ainda não foram alvo das políticas públicas que visam mitigar a recessão econômica que se seguirá a crise sanitária. Ou seja, o custo dos itens de produção, dentre eles o gás natural e a energia elétrica permanecem os mesmos, como se crise não houvesse, ainda não chegamos no estágio em que as grandes concessionárias de energia percebem que os contratos de fornecimento precisarão ser revistos sob pena de não haver indústria ativa cujo contrato possa ser revisitado pós-crise.

 

Eu volto então para os três itens iniciais. Para que o cenário otimista - ainda um cenário de recessão, apenas uma recessão mais amena - se concretize, será necessário muito trabalho de articulação e mobilização setorial, no curtíssimo prazo, para que as políticas públicas passem a incluir incentivos à construção civil, à produção e do próprio setor, no médio prazo, criando alternativas para que a utilização de revestimentos cerâmicos seja facilitada, quem sabe ampliando sua utilização no modelo de obras “Faça Você Mesmo”.

 

Então, vamos trabalhar!

 

*CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção

  

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