Majoração do gás natural reduzirá a competitividade da indústria cerâmica

O risco de a Petrobras aumentar, de duas a quatro vezes, o preçodo gás natural em 2022, nos novos contratos em negociação com asconcessionárias estaduais, preocupa muito o setor representado pela Anfacer (AssociaçãoNacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias eCongêneres), pois o insumo representa 30% dos seus custos de produção.“Portanto, o impacto da majoração seria grande na competitividade de nossaindústria, tanto no mercado interno, com elevação de preços e queda na demanda,quanto no comércio exterior,prejudicando a meta de consolidar o Brasil como um dos maioresexportadores do produto”, alerta BenjaminFerreira Neto, presidente do Conselho de Administração da entidade.

Uma das preocupações do setor, que gera 28 milempregos direto em 71 unidades fabris espalhadas pelo Brasil, é com a possívelnecessidade de fechamento de postos de trabalho. “Já vínhamos sendo afetadospela elevação do custo de energia elétrica e constantes aumentos no preço damolécula de gás”, resume o dirigente, que lembra que a Petrobras já reajustatrimestralmente o valor cobrado pelo insumo. Ferreira Neto explica que uma majoraçãocontratual na escala proposta pela Petrobras terá de ser repassada aoconsumidor final. “Isto, somado à corrosão da renda dos brasileiros pelainflação, certamente afetará a demanda. A possibilidade de demissão é real casoesse cenário se confirme”, projeta.

Lembrando que o segmento de cerâmicaé o segundo maior consumidor de gás natural na indústria brasileira, FerreiraNeto enfatiza os ganhos ambientais de sua utilização, que foi uma opçãoresponsável do setor quanto à sustentabilidade. “Ao adotarmos esse combustível,contribuímos para evitar a emissão de 4,6 milhões de toneladas de dióxido decarbono na atmosfera, em dez anos, de 2006 a 2016. É como salvar dodesmatamento uma área de florestas equivalente a 8.861 campos de futebol oureduzir a emissão de mil carros percorrendo 876 voltas ao redor da Terra”,compara, para dimensionar os danos que uma eventual majoração de 100% ou 200%poderia causar na atividade.

Odirigente recorda, ainda, que a Anfacer foi uma das protagonistas na longatrajetória que culminou com a promulgação da Lei do Gás, avanço que deveriareduzir os custos, mas ainda sem efeitos práticos. “Em nosso país, o insumo jáé muito mais caro do que em outras nações e na média do mercado global,impactando nossa competitividade”, ressalta Ferreira Neto. Portanto, seriaimpraticável a majoração nos percentuais cogitados para o próximo ano. “Porisso, já estamos nos mobilizando para tratar da questão com outras entidades donosso setor e do gás”, informa.  

 

Paraentender a questão

Segundo notícias divulgadas pela imprensa, a AssociaçãoBrasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) revelouque a Petrobras propôs aumentar o preçodo gás natural entre duas e quatro vezes, no próximo ano. A majoraçãoseria aplicada nos novos contratos que está negociando com as concessionáriasestaduais. Por isso, essa entidade pretende entrarcom representação no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) contraa petroleira, com o propósito de que as bases dos contratos vigentes sejammantidas.

Há expectativa de que algumas distribuidoras consigam melhorescondições contratuais com os novos fornecedores entrantes no mercado brasileiro.No entanto, na maioria dos estados a Petrobras ainda é a principal alternativade suprimento.

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