Ana Paula Scarati
Coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento, na Portobello.
Curiosa, criativa e apaixonada por resolver problemas, Ana Paula Scarati é o retrato da profissional que transforma desafios em crescimento.
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Aos 12 anos, Thaís Camargo começou a vender salgados pelas ruas do bairro onde morava, em Cordeirópolis, no interior de São Paulo. A iniciativa surgiu da necessidade de contribuir com a renda familiar, mas acabou proporcionando aprendizados que ela leva para toda a vida profissional (e pessoal também).
Thais teve a ajuda de sua vizinha, Dona Ana, que lhe ensinou a preparar os salgados. Com uma pequena caixa de isopor e na companhia de uma amiga, começou a bater na porta da vizinhança. Com o tempo, a atividade cresceu, incluindo bolos e pudins, e as duas meninas conquistaram clientes e conseguiram ajudar em casa.
“Foi meu primeiro contato com o trabalho, com o ganho, com o recurso financeiro e também com a felicidade de poder me comunicar com as pessoas”, recorda.
A experiência lhe ensinou a lidar com as frustrações e a buscar alternativas diante das dificuldades. Se um cliente não comprava naquele dia, era preciso voltar no seguinte e tentar de outra maneira. Essa vivência lhe ajudou a construir resiliência.
“Você não se torna um momento de reclamação. Se torna um momento de ‘Opa, pera, deixa eu recalcular a rota, que amanhã vou ter que pedir isso talvez de uma forma diferente’”, explica.
O incentivo aos estudos sempre esteve presente em sua vida. Mesmo diante das dificuldades financeiras, sua mãe não permitia que ela e o irmão mais novo deixassem de estudar.
Ainda jovem, Thaís ingressou no programa Jovem Aprendiz numa multinacional finlandesa. Durante dois anos, trabalhou na recepção e teve contato com profissionais de diferentes culturas, uma experiência que ampliou sua percepção sobre formas de trabalhar e se relacionar no ambiente corporativo.
Depois, foi contratada por uma metalúrgica, onde permaneceu por aproximadamente seis anos. Começou em atividades administrativas: emissão de notas fiscais e rotinas financeiras, e depois passou a lidar também com fornecedores, clientes e bancos. Gostava "de números" e foi construindo sua experiência na área financeira.
O período na metalúrgica também lhe apresentou situações complexas de negociação e relacionamento com diferentes interlocutores, inclusive em momentos de conflito entre a empresa e o sindicato. Em um ambiente com muitas demandas e uma equipe administrativa enxuta, aprendeu a lidar com problemas que exigiam comunicação e capacidade de encontrar caminhos para que o trabalho continuasse. Foi durante a época em que trabalhava nessa empresa que concluiu sua graduação em Administração de Empresas.
Aos 19 anos, Thaís perdeu a mãe e assumiu novas responsabilidades. Passou a cuidar da casa e do irmão Júnior, que tinha 16 anos, enquanto mantinha o trabalho e os estudos. A fé, segundo Thaís, foi um apoio importante nesse período. Mesmo diante das mudanças pessoais, ela seguiu trabalhando e estudando, determinada a construir seu caminho profissional.
O desejo de trabalhar na Cerâmica Carmelo Fior surgiu antes mesmo de existir uma oportunidade concreta. Thaís conta que, aos finais de semana, depois de sair da igreja, passava em frente à empresa e imaginava que um dia trabalharia ali.
A oportunidade apareceu na área de Departamento Pessoal, durante o processo de aquisição de uma unidade. Para assumir aposição, ela aceitou ganhar menos e ingressar em uma vaga temporária. E o que deveria ser uma experiência temporária acabou se transformando em uma trajetória de longo prazo. Começou com atividades administrativas básicas, como o controle de ponto, e cresceu dentro da área.
Embora tivesse se identificado inicialmente com o setor financeiro, Thaís encontrou no Departamento Pessoal e, posteriormente, em Recursos Humanos, uma combinação que fazia sentido para suas habilidades e interesses: trabalhar com números sem abrir mão do contato com as pessoas. A área permitiu que unisse a análise de informações ao atendimento aos funcionários, à comunicação e à compreensão das necessidades da organização.
Para aprofundar seus conhecimentos, realizou diferentes cursos: Cálculos Trabalhistas, Direito do Trabalho, Cálculos Previdenciários, Legislação e Auditorias Internas de Processos e Procedimentos, além de investirem uma pós-graduação em Gestão Estratégica de Pessoas.
A formação técnica e a experiência prática acompanharam seu crescimento profissional, marcado por promoções sucessivas. Hoje, Thaís é supervisora corporativa de Recursos Humanos na Cerâmica Carmelo Fior.
A atuação corporativa de Thaís abrange unidades em diferentes regiões do Brasil: São Paulo, Rio Grande do Norte, Sergipe e Santa Catarina. A diversidade geográfica também traz diferenças culturais e de contexto que precisam ser consideradas na gestão. Ao longo de sua trajetória, ela aprendeu (e continua aprendendo) a adaptar a forma de conduzir os processos e de se relacionar com as equipes de cada unidade, mantendo os padrões e os objetivos da empresa. Essa responsabilidade também faz com que sua rotina envolva viagens frequentes para acompanhar as operações e apoiar o alinhamento entre as equipes locais e a matriz.
Na função atual, Thaís atua na coordenação de processos corporativos de Recursos Humanos que envolvem a matriz e as unidades da empresa. O trabalho exige organização, acompanhamento de procedimentos, atenção à legislação e alinhamento entre as diferentes operações.
A rotina exige planejamento e atenção aos prazos, mas é justamente diante dos desafios que Thaís encontra uma das partes mais gratificantes do trabalho.
“Vai parecer uma loucura, mas o que eu mais gosto de fazer é resolver conflitos, resolver problemas. Ter uma solução para os desafios que a gente tem no meio corporativo”, afirma.
Para ela, solucionar um problema começa pela análise do cenário, pela escuta das ideias e pela construção de uma resposta possível. Essa abordagem também se aplica à análise de indicadores e à preparação de informações para a diretoria: os números não são apenas registros, mas ferramentas para compreender situações e apoiar decisões.
“O que eu gosto na minha carreira é que os problemas não precisam ser problemas eternos, que a gente consegue, com conversa e com apresentação de números, resolver situações. Isso para mim é o extremo da gratificação do trabalho”, reforça.
O desenvolvimento profissional de Thaís não se encerra com a conquista do cargo atual. Ela mantém o interesse por novos conhecimentos e tem planos de ampliar sua atuação no futuro.
Um de seus objetivos é dar aulas. Embora já ministre algumas palestras, gostaria de se dedicar mais ao ensino. Outra vontade é cursar Direito. Thaís pretende retomar os estudos quando seu filho, Heitor, estiver um pouco mais velho. Hoje, aos sete anos, ele demanda uma rotina de cuidados e acompanhamentos que faz parte das prioridades da família.
A disposição para aprender acompanha uma trajetória que começou cedo, passou por diferentes experiências e encontrou na indústria cerâmica um espaço para combinar capacidade analítica, comunicação e gestão de pessoas.
Ao olhar para sua carreira, Thaís valoriza justamente a possibilidade de enfrentar desafios e encontrar soluções que beneficiem tanto os profissionais quanto a organização.
Sua história mostra que o desenvolvimento profissional pode ser construído ao longo do tempo, com estudo, experiência e disposição para recalcular a rota quando necessário. E que, mesmo depois de alcançar uma posição de liderança, ainda há espaço para novos planos, conhecimentos e caminhos a explorar.