ANFACER • Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres

Setor cerâmico defende iniciativas do MME para um mercado de gás natural mais competitivo

Iniciativa Anfacer + Sustentável

No seminário “Gás para Empregar - Construindo uma estrutura justa e sustentável de preços”, realizado na Fiesp, o setor reforçou seu posicionamento em prol de um mercado de gás natural mais competitivo, eficiente e acessível no Brasil.

O setor cerâmico brasileiro destaca-se como um dos maiores consumidores de gás natural entre as indústrias do país. Insumo energético essencial para o processo produtivo, atualmente o gás natural representa cerca de 30% do custo total de produção do metro quadrado da cerâmica, o que o torna determinante na competitividade do setor.

Diante deste contexto, no evento realizado em 16 de junho na Fiesp, o setor cerâmico nacional reforçou seu apoio às medidas propostas pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que tem ativamente impulsionado iniciativas para ampliar a oferta e reduzir os custos do gás para a indústria nacional. Silveira defendeu, novamente, o gás mais barato como condição para reindustrializar o Brasil.

O seminário Gás para Empregar teve o objetivo de debater as formas de alcançar uma estrutura de preços mais justa e sustentável para o gás natural, reunindo importantes nomes do setor e entidades como ASPACER, ANFACER, ABRACE, ABIVIDRO, Petrobras e Ministério de Minas e Energia, com a participação de 400 pessoas.  

A programação foi aberta pelo presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, que reforçou que o elevado custo do gás natural tem prejudicado a capacidade da indústria brasileira de competir no mercado global. Essa desvantagem fica clara quando se compara o preço do gás no Brasil com o de outros países concorrentes, que pode chegar a ser cinco vezes maior.

Representando o setor cerâmico estiveram presentes o presidente executivo da Anfacer, Maurício Borges, e o diretor de Relações Institucionais da Aspacer, Luís Fernando Quilici, que compôs a mesa dos painéis de discussão. Quilici destacou que o alto custo do gás natural continua sendo um dos principais entraves ao desenvolvimento da indústria cerâmica no Brasil. Segundo ele, apesar dos avanços no acesso ao mercado livre — especialmente no estado de São Paulo, onde cerca de 95% do consumo do setor já migrou para esse modelo —, os desafios relacionados ao preço da molécula, à infraestrutura de escoamento, ao processamento e às tarifas de transporte e distribuição ainda limitam a competitividade do setor.  Indústrias cerâmicas nos estados de Santa Catarina, Espírito Santo e Sergipe já migraram para o mercado livre de gás. No Paraná, a expectativa também é de migração da indústria cerâmica já para o início do segundo semestre. “O gás natural precisa ser compreendido como política de Estado para que a neoindustrialização do Brasil se concretize. A indústria cerâmica já demonstrou disposição em avançar, mas é fundamental garantir condições justas e previsíveis de fornecimento. Sem competitividade no insumo, não há desenvolvimento sustentável para a indústria”, afirmou.

Acesse aqui o Painel completo:

https://youtu.be/oJiP13EADj0

 

Confira os participantes de cada painel:

Oferta de gás nacional e importado: Heloísa Borges, diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE); Luis Fernando Paroli, presidente da PPSA; Alvaro Tupiassu, gerente-executivo de Gás e Energia da Petrobrás; Marcello Weydt, diretor do Departamento de Gás Natural do MME; Décio Oddone, CEO da Brava Energia; Eloi Fernández – Diretor do Instituto de Energia da PUC-Rio – IEPUC e Ana Carolina Neves – head de comercialização de Gás Natural da Equinor.

Regulação e dinâmica de mercado: Luís Fernando Quilici; diretor de Relações Institucionais da Aspacer; Pietro Mendes, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME; Lucien Belmonte, presidente executivo da Abividro; Adriano Lorenzon, diretor de Gás Natural da Abrace; Bruno Armbrust, sócio fundador da ARM Consultoria.

O evento foi finalizado com o painel da especialista global em energia, Ieda Gomes.  

Encontro no MME

Este é o segundo encontro do setor junto ao MME no mês de junho. No dia 11/06, o ministro Alexandre Silveira recebeu lideranças de setores industriais energo intensivos  de várias regiões do Brasil, incluindo representantes da indústria cerâmica, entre eles o presidente do Conselho de Administração da Anfacer, Sergio Wuaden; o presidente do Conselho Administrativo da Aspacer, Eduardo Roncoroni Fior; o vice-presidente da Anfacer e da Aspacer, Benjamin Ferreira Neto e o diretor de Relações Institucionais da Aspacer e consultor da Anfacer, Luís Fernando Quilici.

A reunião teve como foco os altos custos associados ao escoamento e transporte do gás natural no país. O ministro Alexandre Silveira afirmou que não há justificativa para o valor médio atual de US$ 16 por milhão de BTU, considerado excessivo diante das condições do mercado. Segundo Silveira, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estaria em atraso na regulamentação que poderia equilibrar esses preços, afetando diretamente a competitividade da indústria nacional. O governo federal sinalizou a intenção de resolver as distorções no setor até dezembro, quando será realizado o primeiro leilão de gás da União.

 

Gás para Empregar

O programa Gás para Empregar, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), prevê uma série de medidas estruturantes para destravar investimentos, ampliar a oferta de gás no Brasil e reduzir as tarifas cobradas nas etapas de escoamento, processamento e transporte — que hoje representam até 80% do preço final ao consumidor.

Entre as ações já implementadas estão o Decreto nº 12.153/2024, que aperfeiçoa as regras de acesso às infraestruturas de gás natural, a criação do Comitê de Monitoramento do Setor de Gás Natural(CMSGN), que recupera a governança setorial necessária, e acordos internacionais com Bolívia e Argentina para garantir mais oferta a preços justos. Além disso, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao MME, finalizou na última semana uma nota técnica para revisar tarifas de acesso negociado ao escoamento e processamento, com o objetivo de apontar um caminho mais justo e transparente.

Com informações: MME, FIESP e Aspacer

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